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A quiotorfina (KTP) é uma molécula com propriedades analgésicas, pela primeira vez descrito por investigadores japoneses em 1979, quando foi isolada de cérebro bovino [1]. Posteriormente foi isolada de outras fontes, nomeadamente cérebros de ratinhos e ratos, porquinhos-da-índia, coelhos, esquilos  e detectado no líquido encéfalo-raquidiano em humanos. Apesar da sua actividade ser cerca de 4 vezes superior a opióides endógenos [2], o seu efeito apenas é induzido após administração directa no cérebro. Esta capacidade limitada a sua aplicação farmacológica.

Um trabalho recentemente desenvolvido por grupos de investigação do Instituto de Medicina Molecular/Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, Faculdade de Medicina do Porto e Universidade de Girona (Espanha) concebeu um novo derivado da Quiotorfina, designado KTP-RC, extremamente promissor, com actividade analgésica in vivo comprovada. Este trabalho tem o financiamento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (Projecto PDCT/SAU-FCF/69493/2006).

Contudo, para que esta molécula possa reverter em favor da sociedade e ajudar doentes que sofrem de dor, é necessário comprovar que, para além de ser eficaz, a molécula pode vir a originar um medicamento seguro. De facto, a questão da segurança põe-se logo desde muito cedo, ainda antes de se fazerem os primeiros testes em humanos. É necessário assegurar que os efeitos adversos da molécula são toleráveis. Com este fim, a equipa anterior associou-se a duas empresas do sector farmacêutico (a Bioalvo, em Portugal, e a Synovo, na Alemanha) e uma universidade alemã, a Universidade de Tübingen. Juntos, sob coordenação do Instituto de Medicina Molecular/Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, concorreram a um financiamento da União Europeia no âmbito das acções Marie Curie especificamente vocacionadas para colaborações entre universidades e indústria: IAPP - Industry-Academia partnerships and pathways.

O projecto foi considerado de qualidade e bem classificado na sua avaliação. Foi iniciado em Março de 2009.

1 - Takagi, H.; Shiomi, H.; Ueda, H.; Amano, H., Morphine-like analgesia by a new dipeptide, L-tyrosyl-L-arginine (Kyotorphin) and its analogue. Eur J Pharmacol 1979, 55, (1), 109-11.
2 - Shiomi, H.; Ueda, H.; Takagi, H., Isolation and identification of an analgesic opioid dipeptide kyotorphin (Tyr-Arg) from bovine brain. Neuropharmacology 1981, 20, (7), 633-8.

 

 

Kyotorphin (KTP) is an analgesic molecule first isolated from bovine brain by Japanese researchers working in Kyoto, in 1979 [1]. Although its activity is 4-fold higher relative to endogenous opioids [2], it is effective only if applied directly in the brain. This limitation prevents its pharmacological application.

Researchers from Portugal (Schools of Medicine of the University of Lisbon, Institute of Molecular Medicine, and University of Porto) and Spain (University of Girona) conceived and synthesized a derivative of KTP (KTP-RC), modified in a way to make it effective after administration in blood. This efficacy was proven in vivo. This seminal work was funded by the Portuguese Foundation for Science and Technology (Project code PDCT/SAU-FCF/69493/2006).

Yet, to turn KTP-RC into a safe drug that can be used by patients, KTP-RC has to go through further tests, eventualy new modifications, and enroll a programme of technological development. Three other teams joined efforts with the Universities of Lisbon, Porto and Girona to tackle these needs: the University of Tübingen and Synovo (both from Germany) and Bioalvo (Portugal). Toghether, they formed a consortium that applied to funding from the IAPP (Industry-Academia Partnerships and Pathways) Marie Curie Actions, under the 7th Framework Programme. The project was considered of high quality and funded. It started in March 2010 and new derivatives of KTP have been identified and very favorable toxicity profiles were detected.

Projecto Dor

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